
Querido diário,
É com essa frase que começo essa reflexão...
Encontrei essa frase no orkut de uma amiga. Coincidentemente, estava conversando sobre o futuro e responsabilidades com um amigo. Em como a vida mudou desde a oitava série do Fundamental até os dias de hoje. Em como eram bons os tempos que passávamos despreocupados, sem pensar em trabalhos, quando a única preocupação verdadeira era o que faríamos na próxima festa.
Em como eram boas as conversas que tínhamos, da mesma forma que as saídas. Fazendo um paralelo com o agora, aonde temos outras obrigações, como faculdade, responsabilidades, agir como adultos.
Porém, alguém me perguntou se eu quero ser adulta? Se eu quero ter as responsabilidades de um adulto? Essa questão não é simplesmente daquelas impulsivas, e nem as que nós podemos nos dar ao luxo de não responder. Sim, a vida e o tempo nos impõe que tenhamos atitudes de pessoas normais, correspondendo à idade biológica que temos.
Talvez seja infantil isso, mas eu não quero arranjar um emprego ou ficar numa faculdade aonde eu tenha que me dedicar 100% à ela e deixar de viver. Não quero um maravilhoso emprego que me tome o tempo livre, que me prive de fazer as coisas que eu gosto ou que me proíba indiretamente de sair com as pessoas que eu amo.
Não quero uma adulticidade imposta. Dessa forma, nunca serei adulta de verdade. Seria uma pseudo-adulta para sempre, como muitos costumam agir, mas não admitir. Tampouco pretendo usar gírias de jovens quando estiver com 50 anos, ou querer me passar por menos idade que eu realmente tenho. Não pretendo correr mil quilômetros quando o meu corpo não agüenta mais que um. Não pretendo me fazer passar por algo ou alguém que eu não sou. Mas também não posso admitir que me roubem algo precioso, a ingenuidade das crianças.
Existem aqueles velhinho rabugentos que esqueceram o quão bom é ser criança. Existem aqueles jovens que se esqueceram o quanto é divertido fazer parte de uma brincadeira. Existem aquelas mulheres que esqueceram a idade que têm e querem usar as roupas das filhas. Ou mesmo aqueles pais que adoram paquerar as amigas dos filhos. Existem aquelas pessoas que adoram filosofar e nada dizem. Como aquelas que saem pra beber e esquecer os problemas, que não querem voltar à realidade.
Como alguém disse uma vez, um adulto é um menino disfarçado. Nos dias de hoje, essa frase é evidente. Crianças trabalham mais que adultos e sustentam uma família inteira. Ao invés de estudarem e brincarem, estão nas ruas, serão adultos sem infância, sem boas lembranças de criança. Mesmo as crianças de classe média para cima, se sexualizam cedo demais, não querem ser crianças, brincar de correr e pular inocentemente. São mini adultos, com a aprovação total dos pais, muitas vezes, ausentes da criação do filho.
O que será que eles serão no futuro? Eu não sei, mas pretendo viver o suficiente para descobrir os males que a falta de uma fase da vida traz.
Adultos hiper-depressivos? Adultos infantilizados com cérebros estagnados? Crianças em corpos adultos? Ou o puro Admirável Mundo Novo? Ou, quem sabe, melhores do que um dia nós nunca seremos.